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RGPD e IA

RGPD aplicado a assistentes de IA institucionais

Princípios práticos para avaliar fontes, dados pessoais, fornecedores e avaliações de impacto num assistente institucional baseado em IA.

A pergunta certa não é apenas “onde está o modelo?”

Quando uma instituição avalia um assistente de IA, é natural começar pelo fornecedor do modelo. Para o RGPD, porém, o sistema deve ser analisado de ponta a ponta: fontes ingeridas, finalidades, acessos, registos, excertos enviados ao modelo e conservação das interações.

Este artigo apresenta critérios gerais e não substitui aconselhamento jurídico nem uma avaliação de impacto adequada ao caso concreto.

Finalidade e minimização

Cada conjunto de documentos deve ter uma finalidade definida. Uma base de conhecimento interna não deve tornar-se automaticamente uma fonte pública, e o facto de um documento estar acessível a uma equipa não significa que todo o seu conteúdo seja necessário para responder a qualquer pergunta.

Minimizar significa limitar documentos, campos, excertos e períodos de conservação ao que é necessário para o serviço.

Permissões antes da pesquisa

O controlo de acesso deve acontecer antes de o conteúdo ser recuperado e enviado para geração. Filtrar apenas a resposta final deixa espaço para exposição indevida no contexto processado pelo modelo.

Na prática, a pesquisa deve respeitar organização, função, coleção, embargo e outras regras relevantes em todas as camadas.

Fornecedores e residência dos dados

A instituição precisa de saber que entidades processam dados, em que regiões e com que condições de retenção ou treino. A lista de subprocessadores, o acordo de tratamento de dados e as transferências internacionais devem refletir o fluxo técnico real.

Sempre que um serviço em nuvem recebe contexto, deve receber apenas os excertos necessários — não uma cópia integral do acervo.

Quando considerar uma DPIA

Uma avaliação de impacto sobre a proteção de dados pode ser necessária quando o tratamento apresenta risco elevado, envolve dados sensíveis, monitorização sistemática ou decisões com efeitos significativos. Mesmo quando não é obrigatória, documentar riscos, medidas e responsabilidades melhora a decisão.

Evidência operacional

Conformidade também exige prova: registos de acesso, versões das fontes, configuração de retenção, incidentes e alterações de fornecedores. Uma política escrita sem correspondência no sistema não é suficiente.

O objetivo não é acrescentar RGPD depois do produto estar pronto. É limitar desde o início o que o sistema pode consultar, transmitir, registar e revelar.